Enquanto você me xingava eu pensava: como pode ser tão doce? E se debatia dizendo as maiores atrocidades que se pode dizer a qualquer um. Nesse ataque de fúria eu já não conseguia mais ver o seu rosto. Nem aquele sorridente, nem aquele preocupado, nem o sisudo, nenhum deles. Já via um outro, vermelho por fora, vermelho, muito vermelho por dentro. Mas era o seu rosto, um que eu não conhecia. Grande, forte, me batendo. E a cada soco que me dava eu me sentia cuidado. Eu sabia que cada soco que você me dava, encaixava-se carinhosamente no meu corpo. A sua violência era cuidadosa, me guardava. Porque se quisesse me fazer sangrar, faria. Mas não fez. Os hematomas que tenho são lembranças do seu colo, que seus pulsos deixaram.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Delicioso...
ResponderExcluir